Finalmente a Era dos Impérios
1. Segundo Geoffrey Barraclough, a diferenciação essencial que pode ser feita entre a 1ª e a 2ª Revolução Industrial estaria no grau de impacto gerado por elas sobre as sociedades. Enquanto a primeira teria determinado gradualmente a saída dos homens do campo rumo às cidades, o emprego da mão-de-obra em fábricas e a fundamentação de uma vida econômica completamente diversa, a segunda teria sido mais radical no fomento a mudanças. Isto porque, ao contrário de sua predecessora, ela não apenas foi capaz de alterar o cotidiano das pessoas, mas também de realizar profunda influência sobre o sistema internacional. Com a promoção de um desenvolvimento industrial tão avançado a ponto de só admitir a permanência, no mercado, dos grandes capitais, a 2ª Revolução Industrial comportou a criação de empresas de larga escala e o aprimoramento dos sistemas de transportes e comunicações. Além disso, foi mais abrangente. Estendeu-se para os EUA, para o Japão, para a Rússia. Alçou a Alemanha ao rol de países importantes. Levou, em virtude da crise de superprodução, à busca de novos mercados e ao imperialismo. Modificou, em último aspecto, o tabuleiro e as peças dos grandes confrontos. Se a 1ª Revolução Industrial foi deveras localizada, a 2ª colocou a própria primazia européia em jogo.
2. Fosse preciso definir Imperialismo sem embarcar nas inúmeras armadilhas teóricas que acometem o tema, provavelmente se falaria na demarcação de colônias e de áreas de influência por parte das grandes potências na Ásia, na África e na Oceania. Tanta simplicidade, contudo, talvez esconda as nuances envolvidas no fenômeno. Segundo Lênin, o Imperialismo seria, antes de tudo, a consolidação de um estágio superior do capitalismo. Com uma visão materialista da história, o autor russo defendeu que a procura de novos mercados seria a indicação efetiva de que se atingira o ápice do desenvolvimento das forças produtivas sob a livre concorrência. Assim, o único meio de fugir às crises recorrentes de superprodução e de manter a lucratividade dos negócios dos grandes conglomerados seria a procura de mercados. Sem discordar da magna importância do argumento econômico, Hobsbawn preferiu destacar, entretanto, que não só os anseios do grande capital moveram as incursões nos outros continentes. Em sua argumentação, ele lembrou o possível uso do Imperialismo como uma válvula de escape para os crescentes problemas intraestatais e como um poderoso artifício para a elevação da auto-estima do homem branco (mito da superioridade e mito da missão civilizatória). Em grande parte por seu caráter menos determinista, o autor inglês parece ter a explicação mais completa sobre a prática imperialista.
Conclusão: Esforçando-se para relacionar a 2ª Revolução Industrial ao Imperialismo, o caminho mais fácil parece ser a acepção da condição econômica que a primeira criou como uma das razões (talvez a mais importante) para a ocorrência do último. Como parece ser consenso entre os estudiosos, o intenso desenvolvimento técnico-científico atingido por volta da década de 1860 alterou por completo a lógica dos negócios. Os novos setores industriais demandavam matérias-primas só abundantes em áreas distantes, como a borracha da Amazônia. O alto custo de modernização dos meios de produção limitava o número de fornecedores e promovia forte concentração do capital. Os bancos deixaram de ser apenas credores e ganharam protagonismo. Por fim, o crescimento de produtividade foi tão absurdo que se chegou a um ponto em que não havia mais consumidores para tanto. Justamente por isso, a solução encontrada teria sido a procura de novos mercados em regiões “longínquas” do planeta, preferencialmente com a sustentação de protecionismos e de outras vantagens aos empreendedores. Para apoiar as “aventuras” dos principais investidores nacionais – mas não apenas –, as grandes potências passariam a disputar o poder também fora da Europa. Estava criado o Imperialismo.

1 Comments:
Quando eu crescer quero escrever assim!
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