Tuesday, May 10, 2005

Olhos azuis e bandeiras listradas - uma versão da Independência Americana

Ambientado por volta de 1776-1781 o filme “O Patriota” do diretor Roland Emmerich alcança sucesso na árdua tarefa de trazer a História até à realidade mais simples da pessoa comum. No filme, Mel Gibson é Benjamin Martin, um ex-combatente na guerra contra índios e franceses e atual fazendeiro cuja maior preocupação é a família. Embora a vontade de agradar Hollywood supere a precisão histórica, o filme exemplifica o ponto levantado por Divine no que diz respeito a importância da participação das milícias irregulares no alcance das vitórias sobre os ingleses. É importante apenas não se deixar enganar pelos belos olhos azuis de Gibson: não existiu apenas uma milícia e estas não foram as únicas responsáveis por vencer a guerra.

A questão dos negros também é tratada superficialmente. Um desavisado pode mesmo chegar a acreditar que a abolição da escravidão se deu logo após a Declaração da Independência. Ou que o escravo Occam, interpretado por Jay Arlen Jones, foi o único negro a lutar nessa guerra. A verdade é que milhares de escravos se engajaram na luta pela promessa de liberdade, que só foi alcançada após a Guerra de Secessão. Na batalha de Bunker Hill, por exemplo, cinco por cento do Exército Continental era formado por afro-americanos.

Como todo bom “blockbuster” o filme se apóia em cenas dramáticas e com forte apelo nacionalista. Quem não se emocionou quando viu Benjamin Martin correr pelo campo cheio de ingleses carregando a bandeira listrada até a frente de batalha? No entanto, nenhuma delas é mais reveladora do que a cena na qual o protagonista, de joelhos, observa o movimento do Exército Continental enquanto seu arquiinimigo inglês se prepara para arrancar-lhe a cabeça. A bandeira tremula poeticamente enquanto o herói, num passo surpreendente, se volta e atinge o malvado opressor com uma baioneta. A jovem nação triunfa sobre o cruel opressor e conquista a preço de sangue a sua tão sonhada liberdade.

1 Comments:

At 7:10 PM, Blogger professor said...

Ótima resenha. Belo poder de síntese. Podia ter escolhido um tema para se aprofundar, como a escravidão, por exemplo,. Gostei do tom crítico final, mais para açogueiro que para Fivel ;)

 

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