A Liberdade enfim lança seu grito!
16 de Setembro de 1810 - Dolores
Esta manhã, no pátio em frente à paróquia de nosso pequeno povoado, após o repicar solene dos sinos da igreja, o povo se reuniu para ouvir o inflamado discurso do padre Miguel Hidalgo y Costilla. A opressão que sofremos por parte do ilegítimo governante francês que usurpou o trono de nosso verdadeiro rei não pode mais continuar e, como líder do movimento chamado de “Los Insurgentes”, padre Hidalgo foi o primeiro a espalhar as boas novas.
A conspiração de Queretáro estava preparada para agir em outubro, mas um traidor levou o grupo a adiantar-se. Junto de outros defensores da independência da Nova Espanha, como Ortiz de Domínguez, Allende e Aldama, padre Hidalgo se dirigiu ao povo mostrando o quanto essa situação em que vivemos é vergonhosa e, sendo inaceitável até para escravos, quanto mais para nós, homens livres.
A mão daqueles que se dispuserem a levantar espadas em nome da liberdade será guiada por Deus e sua vida protegida por Nossa Senhora de Guadalupe. Já não há tempo para covardia ou subserviência àqueles que nos exploram. Os cárceres já começam a ser abertos. O povo já corre pelas ruas, enquanto nossos homens se organizam contra o exército opressor. O clamor emocionado do padre foi só o primeiro entre muitos que ainda virão. Até que, muito em breve, possamos elevar nossas vozes em brados de júbilo por nossa terra enfim liberta.
Viva então, a Nossa Senhora de Guadalupe! Viva a religião! Viva Fernando VII! Viva à América pela qual combatemos! E abaixo ao governo corrupto!

4 Comments:
Deborah,
A reportagem está muito bem contextualizada. Faltou a ela, no entanto, uma visão mais global do contexto em que se passou.
Pablo,
Não entendi o que você quis dizer com "falta de uma visão mais global". Pelo que entendi desse tipo de tarefa, e é o que eu tenho feito desde o começo, a reportagem pede que o escritor se coloque "na pele" daqueles que vivenciaram a situação. Eu não acredito que, na época, os revolucionários tivessem noção da significância global de sua atuação. Agradeceria muito uma explicação.
Confesso que também não entendi, muito bem... Boa defesa Deborah. I got your point, mas saio na defesa de meu monitor.
Acredito que o que ele quis dizer é que para o leitor médio, sem nenhum conhecimento sobre o assunto, valeria, para fins didáticos, que você contextualizasse o que estava acontecendo no México da época... Questão da Igreja, dos Indios, razão da revolta. Fixou um post para 'entendidos' apenas, o que não desqualifica seu bom trabalho de 'entrar na pele' dos rebeldes.
Foi isso Pablo ?
Foi isso Professor, mas acho que o argumento da Deborah está totalmente correto. O trabalho seguiu a linha de exigência, mas os meus vícios internacionalistas me fazem exigir involuntariamente textos com visões globais. Por fim, minha crítica não foi apropriada.
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