Eu acho que vi um gatinho...
Responda rápido: O que um ratinho russo e o chefe da gangue dos coelhos mortos têm em comum? Se você ainda está tentando descobrir que gangue é essa, é porque ainda não assistiu ao filme “Gangues de Nova Iorque” e nem “Fievel vai para a América”. O ratinho Fievel Mouskewitz e o jovem Amsterdã Vallon são imigrantes que chegam aos Estados Unidos da América em busca de liberdade e oportunidade. Ambos se deparam com dificuldades diferentes e conseguem superá-las, cada um à sua maneira. O pequeno roedor se perde de sua família durante uma tempestade e enfrenta vários perigos até conseguir liderar um levante que pretende expulsar todos os gatos (exceto um que é seu amigo, Tigre) de Nova Iorque. Ainda criança, Vallon é obrigado a enfrentar a perda do pai, que é morto por nativistas durante uma briga entre gangues rivais em Five Points e volta anos depois para se vingar de Bill, o Açougueiro.
“Mas não existem gatos na América, só há queijo pelo chão! Não há nenhum gato na América! Adeus preocupação!” Essa terra mágica onde queijo brota do chão e os gatos só existem nos pesadelos de ratinhos bebês é um ótimo exemplo da visão idealista que povoava o ideário dos imigrantes do século XIX. Apesar de ser um rato, Fievel representa as expectativas de toda uma geração de russos, italianos, chineses e irlandeses que ansiavam pelo momento em que avistariam a Estátua da Liberdade e enriqueceriam milagrosamente.
Se o alegre ratinho tivesse encontrado com Amsterdã posso garantir que teria se tornado amargo e desiludido. O jovem filho do “Pastor” Vallon vive numa Nova Iorque onde vigora a lei do mais forte, e quem dá um passo em falso acaba morto e pendurado em praça pública. Tudo isso num cenário conturbado de Guerra Civil. Talvez não haja nenhum gato na América, mas leões e tigres sedentos de sangue esperam em cada uma das cinco esquinas entre as quais o personagem de Leonardo de Caprio vive. O preconceito dos Nativistas, o alistamento obrigatório para suprir as linhas do exército nortista, a fome, o constante aumento dos preços, a corrupção dos governantes... A Big Apple estava bichada e recebia seus novos inquilinos a pedradas.
É claro que esse cenário de destruição não condiz com um desenho animado voltado para o público infantil. Imagino minha vida se, ao invés de ter crescido com as doces canções de Fievel e Tânia, “Eu sei que há, debaixo do luar, alguém que me ama...” houvesse cantado “There´s a cloud on the New York skyline, innocence dragged across a yellow line. These are the hands that built América...”. Se o desenho animado não corresponde à realidade, pelo menos dá uma sensação confortável de que a integração foi real e o sangue que os imigrantes derramaram no solo americano foi um preço justo em troca da liberdade que conquistaram.
“Mas não existem gatos na América, só há queijo pelo chão! Não há nenhum gato na América! Adeus preocupação!” Essa terra mágica onde queijo brota do chão e os gatos só existem nos pesadelos de ratinhos bebês é um ótimo exemplo da visão idealista que povoava o ideário dos imigrantes do século XIX. Apesar de ser um rato, Fievel representa as expectativas de toda uma geração de russos, italianos, chineses e irlandeses que ansiavam pelo momento em que avistariam a Estátua da Liberdade e enriqueceriam milagrosamente.
Se o alegre ratinho tivesse encontrado com Amsterdã posso garantir que teria se tornado amargo e desiludido. O jovem filho do “Pastor” Vallon vive numa Nova Iorque onde vigora a lei do mais forte, e quem dá um passo em falso acaba morto e pendurado em praça pública. Tudo isso num cenário conturbado de Guerra Civil. Talvez não haja nenhum gato na América, mas leões e tigres sedentos de sangue esperam em cada uma das cinco esquinas entre as quais o personagem de Leonardo de Caprio vive. O preconceito dos Nativistas, o alistamento obrigatório para suprir as linhas do exército nortista, a fome, o constante aumento dos preços, a corrupção dos governantes... A Big Apple estava bichada e recebia seus novos inquilinos a pedradas.
É claro que esse cenário de destruição não condiz com um desenho animado voltado para o público infantil. Imagino minha vida se, ao invés de ter crescido com as doces canções de Fievel e Tânia, “Eu sei que há, debaixo do luar, alguém que me ama...” houvesse cantado “There´s a cloud on the New York skyline, innocence dragged across a yellow line. These are the hands that built América...”. Se o desenho animado não corresponde à realidade, pelo menos dá uma sensação confortável de que a integração foi real e o sangue que os imigrantes derramaram no solo americano foi um preço justo em troca da liberdade que conquistaram.

1 Comments:
Deborah sua resenha está excelente, embora eu discorde completamente da sua conclusão Fievel, após uma introdução Butcher..
Levarei em conta que o embaixador foi gentil com você e pagou sua viagem, mas gostaria de saber sinceramente que liberdade foi essa que os imigrantes pagaram com sangue? Liberdade é para os WASPs!!! Lembre-se da conclusão do "Gangues"!!!
Disseram que eu voltei americanizada e se ainda estiver se sentindo muito Carmem Miranda, o antidoto e ler de novo e de novo o 'Manifesto' para saber como nosso amigo da barba se refere a liberdade burguesa...
Só para constar, discordo, discordo, discordo, mas foi a resenha mais criativa que eu li. Parabéns !!
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