Wednesday, April 13, 2005

Sucesso austríaco em Congresso na capital

Viena - 10 de junho de 1815
Na belíssima Viena de Francisco I, foi declarado encerrado ontem, dia 9 de junho, o Congresso a que ela empresta nome, iniciado em 1 de novembro último. Conforme sintetizado, na sessão final, pelo ministro do Império para as Relações Exteriores, o príncipe de Metternich, os representantes das magnas Coroas européias acreditam ter estabelecido as diretrizes para a restauração da ordem e para a manutenção da paz no continente. Para isso, ficou determinada a obediência comum aos chamados princípios básicos (a legitimidade, proposta pelo ousado príncipe de Talleyrand, e o equilíbrio, apresentado pelo Visconde de Castlereagh e surpreendentemente endossado pelo tzar Alexandre I). Contrariando as expectativas de estudiosos, entretanto, não foi documentado nenhum compromisso de criação de encontros periódicos de Áustria, Grã-Bretanha, Rússia, Prússia e França para resolver questões possivelmente decorrentes de seus interesses políticos.

Talvez, todavia, a não definição desse ponto deva-se ao acirramento de outras discussões de grande destaque. Sob o pretexto de decidir o futuro dos territórios da Saxônia e da Polônia, as potências continentais acabaram por explicitar seus reais interesses e por deixar nas mãos do Príncipe Metternich e de sua habilidade a solução de suas querelas. Apelando aos Tratados de 1805, o impassível príncipe de Hardenberg defendeu sua Prússia como a soberana de ambas as regiões. Tendo à sua frente a Rússia do supremo defensor da moral cristã, Alexandre I, na questão polonesa, no entanto, encontrou resistência. Por um arranjo de austríacos, russos e britânicos, cuja aliança informal o acusou de tentar ferir o equilíbrio do sistema, Hardenberg pôde anexar, apenas, uma porção da Polônia. Cedendo ao destempero em alguns momentos, o líder prusso não pareceu passar por um bom momento em suas argumentações, contrastando com um Castlereagh coerente e com um Metternich comedido, mas eficiente.

Também com algum fervor, a delegação da Santa Sé se colocou diante da França de Talleyrand, contestando, em um Estado que se diz defensor das legitimidades, a postura de não devolução dos territórios pontifícios tomados por Napoleão. Com uma argumentação nítida, ainda que dramática, o Papa Pio VI não obteve sucesso em sua reivindicação, mesmo após o acometimento dos Cem Dias de Bonaparte e uma certa retração do representante dos Bourbon. Como compensação, o Congresso permitiu ao Sumo Pontífice o encargo de abençoar a Santa Aliança de Alexandre I, uma união militar dos quatro grandes (a Grã-Bretanha preferiu não participar) pelo respeito dos direitos sagrados das monarquias européias. Menos consoláveis ficariam Andorra, Portugal e Espanha. A primeira, questionando sua anexação pelos franceses, esteve perto de ser ignorada. Os outros dois, levando à Viena o debate sobre a legitimidade da elevação do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarve e sobre as divergências territoriais na América, não fossem os inflamados discursos de seus representantes, passariam despercebidos. Mesmo assim, elogia-se a tentativa, dessas delegações menores, de infiltrar suas posições na Conferência. Possivelmente – como só a História dirá –, tenham estado lá com a mera função de presenciar o surgimento da Paz entre os Grandes.

2 Comments:

At 7:03 PM, Blogger Manoela Assayag said...

Em nome do grupo, peço desculpas por um pequeno erro no texto. Dissemos que a Prússia ficou com parte da POLÔNIA, mas, na realidade, foi SAXÔNIA.
Favor desculpar o engano.

 
At 7:36 PM, Blogger professor said...

Markus,

Ótima cobertura. Apenas um reparo, fora o já feito por vocês. O representante da prussia, não é prusso, é prussiano.

 

Post a Comment

<< Home