O parafuso napoleônico
Um homem de baixa estatura, natural da Ilha de Córsega e membro de uma família sem grande expressão política. Fosse este perfil apresentado a um francês, nos tempos de Luís XVI, como pertencendo ao futuro líder de seu Estado, a reação seria de espanto e gargalhadas. Na Europa pré-revolucionária, marcada pelos governos absolutos e pela forte presença aristocrática no poder, não havia novidades. Rei após rei, as dinastias se perpetuavam no comando e, como regra, mantinham um sistema de subjugação das massas e da burguesia. Vez ou outra, contudo, essa soberania era ameaçada. Guerras civis e guerras entre Estados eram freqüentes. Naquela época, entretanto, os conflitos envolviam, estritamente, exércitos profissionais, compostos por nobres ou por mercenários, e defensores dos objetivos de sua Coroa ou de seus contratantes. Não se lutava por ideal, não se alcançavam cargos por mérito e, além de tudo, os grupos dominantes (em número) não se viam dominantes no poder. Era, sem dúvida, um momento histórico ímpar e, no entanto, poucos ali vislumbravam que algo poderia mudar. A estrutura era tão arraigada, tão irretocável! A ordem parecia tão segura. Entretanto, e há quem explique por influência iluminista ou por um instinto coletivo decorrente da insatisfação geral (com a fome, com a inflação e com os altos impostos), era apenas impressão. Na França, berço do mais concentrador dos absolutismos, milhares foram à marcha, em solidariedade aos líderes burgueses da Assembléia Geral, para alterar o que antes se dizia inalterável. Em 1789, o mundo como se vira tomava novos rumos. O jovem corso, então com 20 anos, apenas observava.
Com a Revolução Francesa, e passando em revista seus períodos, em especial o Diretório, o pequenino e quase-italiano Napoleão Bonaparte marcou sua propensão para governar a França. Tendo obtido enormes sucessos na campanha italiana e na expulsão dos contra-revolucionários do território, ele obteve prestígio em tal cota que acabou por ser escolhido como a esperança burguesa de se manter no poder (seguindo-se aos malfadados diretores). Mal sabiam, entretanto, aqueles que apoiaram sua ascensão ao poder o quanto afetariam a Europa. Se o processo revolucionário francês já havia alterado, sem precedentes, o sistema do país – mesmo com a Restauração, em 1814, jamais um governante teria poderes tão plenos novamente –, a disposição de Napoleão, a partir de 1804, de expandir seus poderes espalharia as idéias liberais por grande parte do continente. Foi também ele, ao idealizar as grandes armées, que levou, oficialmente, ao Exército a noção de nacionalismo e o tom popular. Não apenas o recrutamento era obrigatório em todas as porções da sociedade (retirando o caráter aristocrático da condição), como, retomando a batalha de Valmy, os oficiais deveriam lutar pela defesa de seu país e por tudo o que representava esse país. Além disso, raros foram os incentivadores das instituições burguesas ou os empreendedores da educação pública ou os estrategistas militares com capacidades semelhantes às de Bonaparte. Com uma destreza única, que fez questão de esbanjar frente ao continente, o antigo general levou sua França ao posto de “ameaça máxima” ao sistema internacional, ao mesmo tempo em que fazia uma guinada econômica e multiplicava seu espaço físico.
Com a Revolução Francesa, e passando em revista seus períodos, em especial o Diretório, o pequenino e quase-italiano Napoleão Bonaparte marcou sua propensão para governar a França. Tendo obtido enormes sucessos na campanha italiana e na expulsão dos contra-revolucionários do território, ele obteve prestígio em tal cota que acabou por ser escolhido como a esperança burguesa de se manter no poder (seguindo-se aos malfadados diretores). Mal sabiam, entretanto, aqueles que apoiaram sua ascensão ao poder o quanto afetariam a Europa. Se o processo revolucionário francês já havia alterado, sem precedentes, o sistema do país – mesmo com a Restauração, em 1814, jamais um governante teria poderes tão plenos novamente –, a disposição de Napoleão, a partir de 1804, de expandir seus poderes espalharia as idéias liberais por grande parte do continente. Foi também ele, ao idealizar as grandes armées, que levou, oficialmente, ao Exército a noção de nacionalismo e o tom popular. Não apenas o recrutamento era obrigatório em todas as porções da sociedade (retirando o caráter aristocrático da condição), como, retomando a batalha de Valmy, os oficiais deveriam lutar pela defesa de seu país e por tudo o que representava esse país. Além disso, raros foram os incentivadores das instituições burguesas ou os empreendedores da educação pública ou os estrategistas militares com capacidades semelhantes às de Bonaparte. Com uma destreza única, que fez questão de esbanjar frente ao continente, o antigo general levou sua França ao posto de “ameaça máxima” ao sistema internacional, ao mesmo tempo em que fazia uma guinada econômica e multiplicava seu espaço físico.
Mas nem tudo em Napoleão, todavia, foi admirável. Se em instante algum ele deixou de ser notável, sua herança para o planeta e, especificamente, para a Europa, teve seus tons azedos. Sua extrema beligerância e a condição de dominação imposta a áreas como a Prússia, fariam nascer nacionalismos, revanchismos e, até mesmo, os princípios da guerra total. Sua insistência em um projeto expansionista acabaria por reservar ao seu próprio país, a França, uma redução futura de seu papel no continente (teria menor função no Concerto pós-1815), além da própria anulação da ascensão burguesa (ainda que não totalmente, pela Restauração). Sua condição individualista se tornaria nefasta e, cegamente, levaria os burgueses a um quase colapso econômico na tentativa de suplantar a Inglaterra pelo bem do “sistema continental”. Fora isso, e talvez em síntese de sua importância, o efeito do nativo da Ilha de Córsega sobre a Europa, daria origem a um obviamente reacionário Congresso de Viena e colocaria, na mente de cada estadista, uma “obrigação” contra-revolucionária que acabaria por oprimir, futuramente, diversas das investidas liberais e anti-liberais dentro dos Estados.

2 Comments:
Manoela,
tenho somente duas observações: preste atenção nas expressões em língua estrangeira e tente sempre colocá-las em itálico; além disso, tente não copiar as frases dos textos estudados para o trabalho.
Fora isso, seu trabalho ficou excelente! Parabéns!!
Dominique,
Pretendo enviar este comentário também por e-mail, já que não sei se você tem o costume de verificar as respostas nos blogs.
Realmente não entendi em que pontos você encontrou, no meu texto, cópia de algum artigo lido para a preparação do trabalho. Sem dúvida alguma, se isto ocorreu, foi inconscientemente. Foge à minha índole fazer esse tipo de coisa e eu fiquei aborrecida de ter passado essa impressão.
De resto, agradeço pelo elogio, sem deixar de lembrar que sinto como se ele estivesse, ao menos em parte, invalidado.
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