Resumo conceitual – After Victory (Ikenberry)
A formação dos principais sistemas internacionais teria ocorrido, historicamente, após o desfecho das grandes guerras. Este é o ponto de partida da minuciosa investigação de John Ikenberry a respeito do fundamento e da longevidade dos modelos de interação entre Estados. Se, teoricamente, seria mais simples que os vencedores optassem por realizar a hegemonia sobre o restante ou, até mesmo, por abandonar à própria sorte as questões que evoluíssem dos conflitos, por que, desde 1648, eles têm preferido optar por ordenamentos que, sem dúvida, tolhem suas liberdades de comando? Para a resolução dessa primeira questão, o autor empreende uma reflexão de diversas páginas. Em síntese, Ikenberry defende que, numa legítima defesa da durabilidade de seus poderes, os países beneficiados perceberam o reconhecimento da soberania alheia e a regulamentação das relações internacionais (por meio de tratados e congressos) como o mais simples meio de impor sua supremacia sem gerar grandes alardes ou tremores.
Em outro ponto, Ikenberry decide discutir as diversas correntes que analisam os sistemas internacionais. Lembrando que não necessariamente um tratamento democrático das questões domésticas se reflete na adoção da política externa – e vice-versa – o autor difere o modelo hierárquico, notadamente interno, do anárquico, regente das relações exteriores. Partindo do conceito de anarquia, o autor distingue, logo em primeiro instante, as linhas de pensamento que apenas consideram as interações entre Estados daquelas que também lembram o papel das instituições. Os realistas, por exemplo, acreditariam na existência de apenas dois ordenamentos básicos, sempre entre Estados: a balança de poder e a hegemonia. Assim, somente pelo peso e contrapeso de poderes ou pela supremacia disparada dos países hegemônicos nos acordos haveria uma legítima organização das soberanias. Com o pensamento semelhante, os neo-realistas ainda prevêem que, com o resultado do fim da Guerra Fria, grupos como a OTAN não serão jamais capazes de retomar uma função, abandonando o mundo à anarquia e, futuramente, a uma ordem restritamente regida pelos interesses norte-americanos. Talvez com mais otimismo, os liberais e os neoliberais enxergam diferente. Para eles, as instituições teriam, sim, o seu valor, por facilitar a cooperação entre Estados ou por evitar a desordem, contudo sem nunca chegar realmente a interferir (unindo ou restringindo) no sistema. Já em outro caminho, os construtivistas se particularizam por crerem que esses órgãos, mais do que outra coisa, teriam a função de moldar e retocar as identidades dos Estados soberanos de acordo com os interesses dos vencedores, fortalecendo a ordem definida pelos últimos. Por fim, há ainda uma outra corrente, defendendo que os grupos internacionais influenciariam, de acordo com o contexto histórico, a divisão dos poderes. Possivelmente em sua mais ousada discussão, Ikenberry toma todos estes modelos para discutir suas adequações na resolução das assimetrias do passado e de hoje.
É justamente quando se refere à atualidade (1945 - ) que o autor encontra problemas. Apesar da inegável ajuda das teorias clássicas para o entendimento do funcionamento dos sistemas, no que tange às instituições nenhuma delas parece refletir por completo o que se tem. Hoje, as organizações cada vez mais abrem as portas para, por exemplo, a participação de Estados periféricos. Mesmo que possivelmente seja essa pretensa multilateralidade uma tática sutil de fazer prevalecerem as idéias dos Estados hegemônicos, tem sido bastante expressivo o seu sucesso na aproximação de vencedores e perdedores. Sem dúvida, então, pode ser dito que, além da função reguladora, os órgãos teriam assumido a responsabilidade de manter a durabilidade da ordem e, na medida do possível, fortalecer a justiça entre os atores. E o que teria motivado essa evolução? Para Ikenberry, a resposta estaria no inédito caráter democrático que predomina nas interações do modelo vigente.

2 Comments:
Lysianne,
Resumo claro e competente. exatamente o que foi pedido. Excelente. Cuidado apenas com parágrafos muito grandes (o segundo está enorme). Exercite seu poder de síntese. Fora isso, perfeito. Parabéns!
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