Tuesday, March 22, 2005

Não é azul!

Ontem, no dia 30 de janeiro de 1649, a Inglaterra viu a cabeça de seu rei, Charles I rolar pelo cadafalso. A Suprema Corte de Justiça levou em consideração todas as acusações: subversão das leis fundamentais e liberdades da nação e imposição de guerras maliciosas sobre o Parlamento e o povo. O julgamento durou do dia 20 ao 27 de janeiro e condenou Charles Stuart como tirano, traidor, assassino e inimigo público da Commonwealth inglesa.
Durante seu conturbado reinado Charles enfrentou diretamente o Parlamento, chegando a governar durante onze anos sem convocá-lo. Sua tendência absolutista nunca foi bem aceita pelos que temiam a perda de seus privilégios. Paralelamente, sua aproximação com o catolicismo e a tentativa de impor o anglicanismo como religião oficial não aumentaram sua popularidade, chegando mesmo a ser causa da invasão escocesa. A revolta irlandesa em 1641 foi a gota d’água. Incapazes de chegar a um consenso, sobre quem comandaria os exércitos ingleses contra os invasores escoceses e irlandeses, rei e Parlamento entraram em Guerra Civil.
Sua desacertada decisão de se aliar aos católicos escoceses foi o primeiro passo para a ruína. Como esperar que uma Inglaterra protestante aceitasse placidamente tal traição a seus ideais religiosos? Após perder a Primeira Guerra Civil, Charles I tentou engendrar uma segunda, mas também foi derrotado, dessa vez por Cromwell na batalha de Preston em 1648. A partir daí sua trajetória foi descendente. A prisão, as acusações, o julgamento, a sentença, a morte. Agora a Inglaterra chora a morte de seu rei enquanto tinge de rubro seus lenços no sangue que acreditava ser azul.

1 Comments:

At 7:44 PM, Blogger professor said...

Deborah,

Muito boa pesquisa. Muito bem escrito o post. Jornalismo quase literário. Boa recordação das 'betises des Stuarts'. Parabéns!

 

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