A mão que balança o berço
- Na França do final do século XVIII o campesinato enfrentava o alto custo financeiro gerado pela grande carga tributária imposta pela nobreza. Isto foi o suficiente para que as inovadoras idéias liberais da burguesia permeassem um movimento revolucionário. No âmago dessa ideologia, uma proposta de maior igualdade entre os cidadãos. Mas sem jamais abolir a distinção social. Esta característica ficaria muito clara na Carta de 1791, com a defesa irrestrita da propriedade privada. Entretanto, o poder dessa burguesia ascendente não ficaria exposto apenas no plano teórico. A participação da classe seria vital durante várias fases da Revolução, seja no momento da criação das administrações municipais (comandadas pela classe média), seja quando da fragmentação do poder (em virtude do levante de massas de camponeses nas províncias). Em nenhum momento, contudo, a presença seria tão dominante quanto após a criação das instituições burguesas, reformadoras da França e trazidas à tona graças a também preponderante porcentagem desse grupo social na composição da Constituinte. Tendo esses órgãos em funcionamento, a França perpetuaria em sua organização política, econômica e social, um esqueleto burguês que, mesmo após a Restauração, jamais voltaria a viver sob a sombra do Antigo Regime.
- A transformação do Terror jacobino e da radicalização revolucionária em símbolos de quão longe as massas poderiam ir para alcançar seus maiores anseios, para Hobsbawn, abriria duas diretrizes principais para os séculos seguintes. Em primeiro lugar, inspiraria alguns dos principais movimentos populares da contemporaneidade, entre os quais o socialismo, o anarquismo e o sindicalismo. Trazendo a idéia de que o povo seria capaz de romper com uma ordem pré-estabelecida e de transformá-la de acordo com seus interesses, criou - no que talvez seja uma confusão - o entendimento de que bastaria uma revolta profunda, drástica, das classes baixas unidas para modificar o sistema vigente. Por outro ponto, entretanto, a imagem vitoriosa dos grupos menos abastados, marcaria, para alguns, o ponto fundamental de uma cisão no terceiro estado. Ainda que, evidentemente, esta não tenha sido formal, a partir daquele instante, a burguesia, assustada com a possibilidade de tão expressivo ganho de poder, não mais veria com bons olhos as insurreições das massas, movendo as leis e os meios coercivos sob seus interesses para conter as ameaças a sua hegemonia.
2 Comments:
Deborah,
suas respostas estão boas, mas um pouco confusas.
Na primeira questão, não ficou muito claro nem porque a burguesia pode ser entendida como a base da revolução, a ponto desta ser classificada como revolução burguesa, nem porque o campesinato e a burguesia, somente naquele momento. se "juntaram". Porque não antes, já que a situação camponesa era miserável havia séculos e as idéias liberais já estavam se espalhano havia décadas?
Em relação a segunda questão, só tenho duas observações: uma "revolta profunda e drástica" é muita coisa, colocar que "bastaria" isso dá uma idéia de um esforço mínimo necessário para modificar o sistema. E, antes de colocar que a revolução francesa inspirou o anarquismo e o sindicalismo, seria mais negócio colocar a Revolução Russa e a de 1830, que sofreram influências muito mais diretas.
Esqueci de uma coisa: você respondeu a pergunta 3, não a 2. Preste mais atenção.
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