Thursday, March 10, 2005

Comentário Crítico (Ascensão e queda das grandes potências, Paul Kennedy)

Tivesse um continente hipotético que se transformar no maior centro de poder do planeta, ele deveria apresentar forte fragmentação política e estar constantemente assolado por competições e conflitos. Por essa associação, podem ser experimentados e questionados os argumentos de Paul Kennedy para fundamentar sua visão sobre a ascensão européia (iniciada no século XV). Para o autor, a grande diferença entre a China Ming ou os turco-otomanos e os recém-formados Estados da Europa seria a capacidade dos primeiros de formar largos impérios, seja por facilidade geográfica, seja por ausência de inimigos fortes o suficiente para impedi-los, criando uma estabilidade tão perigosa que, em algum tempo, os levaria ao declínio. Em contraposição, entretanto, jamais um Estado ou Império do velho continente, nem mesmo o poderoso domínio Habsburgo, foi capaz de se impor completamente. Talvez pelo difícil acesso a alguns territórios (como a insular Inglaterra) ou pela própria característica de os Estados da área estarem sempre formando alianças uns contra os outros, o fato é que a Europa nunca possuiu uma organização política que, num iminente declínio, levasse também a força do continente. Além disso, como não acontecia em nenhum outro lugar, as atividades comerciais européias eram abundantes e freqüentes, não sendo comuns os episódios de fechamento econômico que marcaram a história de áreas como a China. Assim, numa eterna gangorra, haveria sempre algum país instalando, na área, uma hegemonia, numa regularidade jamais acompanhada pelas outras porções do mundo. E, com a breve confirmação de que essa noção parece suficientemente sóbria e lógica na análise histórica, chegamos à conclusão de que o trabalho de Paul Kennedy aqui discutido é de intensa valia.

2 Comments:

At 5:47 PM, Blogger professor said...

Manoela,

Extremamente bem escrito e claro. Ótimo comentário. Senti falta só da discussão sobre o progresso técnico (sobretudo militar) que a competição causada pela fragmentação gera. Em suma, faz bem para os estados ter muitos inimigos ? Acho que vocês podem voltar ao tema no texto do Tilly. Parabéns!

 
At 5:53 PM, Blogger professor said...

Ahhh, os titulos!!!! Tenho certeza que vocês são capazes de elaborar titulos mais criativos que "comentário critico" ou "resumo conceitual"....

 

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